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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Menos Blá Blá Blá

Eu ouvi calada, imóvel, quase sem respirar, sozinha, cada palavra associada a um gesto, cada objeto vinculado a uma frase, cada parte de mim presa no verso, eu continuei ouvindo, sem reclamar, sem argumentar, pensei por um momento que era sonho, pesadelo, fantasia, coração acelerado, disparado, desesperado, verdade incontestável, gole por gole, gelo sobre o gelo, a coordenação vacilou, a cabeça girou, deu nó, ainda sem sair do lugar o ar saiu forte, respirei devagar, rápido, devagar, parei de respirar, pedi silêncio, quis voltar, andei, andei, andei, não fui capaz de perdoar, não fui capaz de amar, não fui capaz de ser amiga, eu queria o perdão, eu queria mais verdade, mais lealdade, como um rio que segue em frente, como o futuro que não espera, eu continuei, levantei, voei, voltei, caminho a dentro eu persisti tentando fazer sentido, sentido pra mim, pra ela, pra ele, pra você, pra todos nós, eu queria uma direção pra ter o foco em mente, inerte, sem provocar foi como preferi deixar, como preferi ficar, com tantas virgulas sem parar é desse jeito que deve ser, sem olhar, sem se afastar, sem jogar fogo, foi assim que me disseram, é assim que tem que ser, vai fazer sentido, vai sangrar menos, vamos cantar juntos quando a letra ficar pronta, agudo e grave em sintonia, nota por nota em melodia, vai fazer sentido quando eu ouvir a linda sinfonia, sem questionar, sem mudar, só dó com dó e ré com ré, como dois corpos em harmonia o samba vai mostrar, essa dor que um dia foi em alegria vai transformar. Vai fazer sentido, eu sei que é dificil, mas depois é só parar e pensar, parar e ouvir, falar menos, imóvel e calado vai fazer sentido.

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